sexta-feira, dezembro 29, 2006

"Maybe I'll just fall in love
That could solve it all
Philosophers say that that's enough
There surely must be more

Love ain't the answer, nor is work
The truth elludes me so much it hurts
But I'm still having fun and I guess that's the key
I'm a twentysomething and I'll keep being me"



(na verdade esse post foi só pra testar essa gracinha que é o Radio Blog Club)

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Esse ano, eu não sei, eu não desejei feliz natal pras pessoas. Não assim, não uma por uma, não especificamente. Mas aqui, pra mim, eu desejei que elas tivessem um feliz natal. Ano novo, idem. Eu não vou escrever aqui um super post de feliz ano novo, não vou mandar cartões virtuais, nem emails, nem cartões via correio, nem deixar uma foto de fogos aqui. Não to com saco, não to nesse clima. Mas eu sei, eu, aqui comigo, sei, e isso me basta, que eu desejo sim pra cada um dos meus amigos que eles tenham um ano novo mais do que feliz. Desejo mesmo, do fundo do coração. Mas eu não preciso falar isso, não preciso verbalizar. Aliás, eu tenho verbalizado cada vez menos as coisas. Porque no fundo, não adianta. Porque nem sempre as pessoas acreditam que aquilo seja de coração, ou porque nem sempre você consegue verbalizar tudo com a mesma intensidade que você está sentindo. Então é assim, eu fico aqui, quietinha no meu canto, pensando em cada um e desejando que cada um esteja muito, muito feliz e tenha um ano novo diferente, maravilhoso e sempre melhor do que o anterior. Eu tenho um carinho enorme, imenso, por algumas pessoas com quem eu não tenho muito contato. Porque eu sou esquisita mesmo, mas é assim que eu sou. Então, eu espero que elas saibam que eu tenho um carinho enorme por elas. Mas como elas vão saber, se eu não falo? Ah, não sei, as "pistas" estão aí, na cara. Mas enfim. É só pra dizer que eu desejo um feliz ano novo pra todo mundo, mesmo que pareça que eu esqueci, ou que eu sequer pensei em você. Pelo contrário. Eu estou pensando a todo o momento, com toda a força do meu pensamento e desejando de todo o meu coração aquele monte de coisas boas que a gente deseja a todas as pessoas que nos são queridas. Mesmo que elas não saibam. Afinal, o que importa é isso, né? É desejar. Não saber. Até porque às vezes quando a gente fala muito a gente acaba estragando o "efeito" das coisas. E eu prefiro ver resultados do que fazer alarde. Então, é isso. Um feliz ano novo pra vocês. =)

quinta-feira, dezembro 21, 2006

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Eu estava relendo os arquivos desse ano do blog, pra fazer um balanço de 2006. Mas, nossa, enquanto eu lia, só conseguia pensar em uma coisa: como o ano passou rápido!

Yay!

Elenco de Grey's Anatomy lidera ranking de artistas de 2006

OS ANGELES (Reuters) - O elenco da série "Grey's Anatomy'', que se passa dentro de um hospital, liderou a lista dos principais artistas do ano da revista Entertainment Weekly.

A edição de fim de ano da publicação chega às bancas dos Estados Unidos na sexta-feira com suas esperadas listas dos melhores do ano no cinema, na música, na TV, no mundo editorial, entre outras categorias.

Também se destacaram nas listas o YouTube, dois jornalistas fictícios e a veterana Meryl Streep.

Para a Entertainment Weekly, o elenco de "Grey's'' -McDreamy, McSteamy e todos os outros- liderou o ranking dos artistas porque teve um impacto cultural que foi além da enorme audiência do programa nos EUA, de cerca de 20 milhões de espectadores. Além disso, os episódios, recheados de casos e problemas de carreira, foram tema de discussão em escritórios, escolas e lares de todo o país.

- "Grey's não é só um programa, é um fenômeno'', disse a editora-executiva da revista, Lori Majewski. "Em maio, quando o último episódio da temporada passada foi transmitido, a cidade de Nova York ficou vazia. Dava para conseguir uma mesa nos melhores restaurantes'', disse ela.

O site de vídeos YouTube também entrou na lista por causa de seu enorme impacto, dando a vídeos polêmicos uma publicidade instantânea.

O repórter fictício Borat Sagdiyev, um jornalista politicamente incorreto do Cazaquistão, criado pelo comediante Sacha Baron Cohen, fez os norte-americanos olharem para si mesmos com mais autocrítica, no filme ``Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América'', a ser lançado no Brasil no início de 2007.

Meryl Streep destacou-se em dois filmes bem diferentes, o drama musical ``A Última Noite'' e a comédia ``O Diabo Veste Prada''.

Entre outras celebridades citadas estão Daniel Craig, o novo James Bond, os cantores Justin Timberlake e Beyoncé e Stephen Colbert, apresentador da paródia de noticiário ``The Colbert Report''.

A Entertainment Weekly é lida por cerca de 11,4 milhões de pessoas a cada semana.

Fiquei muitíssimo feliz com essa notícia, porque Grey's Anatomy é, definitivamente, a melhor série dos últimos tempos. Pra MIM, ao menos. GA é uma série emocional. Ela mexe com tuas emoções, aquelas escondidas lá no fundo, aquelas que você já tinha enterrado e achava que nunca mais viriam à tona novamente. E as coisas acontecem assim, gradativamente, sem você perceber. Conforme cresce a série, as suas emoções escondidas borbulham e voltam à superfície. Nunca chorei tanto com uma série. Nunca sorri tanto. Especialmente do final da segunda temporada em diante, nossa, a carga emocional é absurda. De te (me) deixar nocauteado mesmo. Emoção pura, pura, à flor da pele. Eu estou sendo redundante, eu sei, mas eu não sei como falar disso. Não sei definir exatamente como GA fala tanto comigo. Só sei dizer isso, que ela é um nocaute emocional pra mim. Principalmente a história da Izzie. Que show que a atriz está dando. Eu me transporto. A dor que ela sente, eu sinto. Ou a dor que eu já senti, ela sente. Salvo as devidas proporções. Ainda não teve uma cena da Izzie na terceira temporada em que eu não tenha me acabado de chorar. Mas chorar mesmo, de soluçar, de não conseguir falar. Eu tenho quase total certeza de que essa carga emotiva não faz parte da reação da maioria. Mas não sei. Só sei que comigo ela existe, e é um triturador emocional. E acho que nenhuma outra série conseguiu fazer isso. Eu não sei, Grey's Anatomy parte de uma premissa tão simples. Mas me atinge tão fundo. E eu não dava nada por ela. Só comecei a assitir já na segunda temporada, nem sei em qual episódio. Mas desde então, não consigo perder um episódio sequer.

terça-feira, dezembro 19, 2006

"I'm not a people person."

Prazer, meu nome é Cristina Yang.



(eu sei, eu sei, daqui a pouco isso vira um blog de fotos de personagens de seriado. Mas ultimamente eu tenho respirado seriados mesmo, o que eu posso fazer? Procurar ajuda psicológica, eu sei. hahahaha)

quarta-feira, dezembro 13, 2006

* Momento adolescente mode on *

Por que ninguém mandou esse cara invadir o meu sonho essa noite. Ninguém.

E ainda defende os animais! Oh, Lord!

*sigh*





(percebam que o momento adolescente não teve mode off. Psé, vai ser o dia inteiro isso. Quando eu tenho um sonho muito bom com um cara lindo desses, é assim. Uma tristeza. Minha adolescência teima em não abandonar esse corpo. Enfim)

terça-feira, dezembro 12, 2006

Não é por nada não, mas...

... a pessoa precisa ser muito doente pra usar esse programa que fuça scraps alheios. Mas muito doente mesmo. É de assustar, na boa.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Várias coisas. 2 semanas chutando o balde, sem ir à academia e me entupindo de chocolate. A questã não é nem se eu engordei ou não. O que mais me impressionou foi como a resistência física caiu. A volta à academia foi muito pior até do que o início. Não tinha disposição nenhuma pra correr, nem nada. Jump? Nem pensar! O horror, o horror. Nunca mais faço isso. Já não vivo mais sem me exercitar e suar. E agora to pesquisando tudo sobre alimentação correta e tal. Não que eu vá radicalizar, mas já é um progresso, porque antes só me entupia de batata frita, hamburguer e coca-cola. Se não fosse a viagem do feriado, eu estaria há uns belos 2 meses sem coca. Mas o importante é nunca desistir e nem se deixar abater pelas recaídas. E "vamo que vamo".

***

Depois que publiquei aquele alegre e otimista post de ontem, me senti um pouco como aquelas pessoas que só vêem o lado ruim das coisas e só destacam isso e tal. E quem me conhece, sabe que não é isso, pelo contrário. Eu procuro sempre ver o lado bom de tudo. Mas realmente ontem me deu um desespero quando eu acessei aquela página e só vi notícias ruins, violência, morte, assalto, arrastão. Me deu uma agonia. Uma tristeza. Sensação de caos mesmo. Aquela foi exatamente a minha sensação. Começar o dia me sentindo numa cidade sem lei, sem dono, sem ordem, enfim. Mas não é sempre assim. E eu espero que melhore.

***

Eu ODEIO a nova música da Ana Carolina que fala alguma coisa sobre rosas. Odeio. E a bendita toca TANTO que gruda na minha cabeça às vezes. Depois de "É isso aí", ela me vem com essa. Assim tá ficando difícil.

***

E acreditem, aconteceu ontem na hora do almoço: estava eu lá, linda e sorridente, no térreo do shopping esperando o elevador pra ir ao 3° piso, onde é a praça de alimentação. Milagrosamente eu sou a primeira da fila. Beleza. Vou eu lá e aperto o botaozinho "subir". A fila cresce. Niqui vem uma mulher lá de trás da fila. Olha pro marcador do elevador, que tava no 3° andar há um tempo, mas nada assim, apavorante. Daí a mulher, agoniada, olha, olha, olha. Daqui a pouco vem ela: "Mas já apertaram o botão??... Ah, olha! Apertaram o botão "subir". Tem que apertar o "descer", senão ele vai ficar lá em cima toda a vida!"

***

E aquele "várias coisas" lá da primeira linha, hein? Onde eu enfiei?

sábado, dezembro 02, 2006

May I feel said he.... Why not said she...

may i feel said he
(i’ll squeal said she
just once said he)
it’s fun said she

(may i touch said he
how much said she
a lot said he)
why not said she

(let’s go said he
not too far said she
what’s too far said he
where you are said she)

may i stay said he
(which way said she
like this said he
if you kiss said she

may i move said he
is it love said she)
if you’re willing said he
but you’re killing said she

(but it’s life said he
but your wife said she
now said he)
ow said she

(tiptop said he
don’t stop said she
oh no said he)
go slow said she

(ccome?said he
ummm said she)
you’re divine! said he
(you are Mine said she)

E.E. Cummings

sexta-feira, dezembro 01, 2006

quarta-feira, novembro 29, 2006

Enquanto isso, no orkut...

- Como vc tá aê?
- To indo. Não sei pra onde, mas tô.
- Huaheuaehuahe vai sim. O importante é não ficar parado.
"...
--- Adeus, disse ele à flor.
Mas a flor não respondeu.
--- Adeus, repetiu ele.
A flor tossiu. Mas não era por causa do resfriado.
--- Eu fui uma tola, disse por fim. Peço-te perdão. Trata de ser feliz.
A ausência de censuras o surpreendeu. Ficou parado, inteiramente sem jeito, com a redoma no ar. Não podia compreender essa calma doçura.
--- É claro que te amo, disse-lhe a flor. Foi por minha culpa que não soubeste de nada. Isso não tem importância. Foste tão tolo quanto eu. Trata de ser feliz... Mas pode deixar em paz a redoma. Não preciso mais dela.
--- Mas o vento...
--- Não estou assim tão resfriada... O ar fresco da noite me fará bem. Eu sou uma flor.
--- Mas e os bichos...
--- É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer borboletas. Dizem que são tão belas! Do contrário, quem virá visitar-me ? Tu estarás longe... Quanto aos bichos grandes, não tenho medo deles. Eu tenho minhas garras.
E ela mostrava ingenuamente seus quatro espinhos.
Em seguida acrescentou:
--- Não demores assim, que é exasperante. Tu decidiste partir. Vai-te embora !
Pois ela não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muito orgulhosa... "

terça-feira, novembro 28, 2006

Há o medo de decepcionar.
Há o medo de não ser capaz,
De não se encontrar,
De não tomar um rumo.

Há o medo da solidão.
Há o medo de não manter,
De não conseguir fincar,
De não ser solo fértil.

Há o medo de não ser feliz.
Há o medo de descobrir que nunca será como sonhado.
De nunca acordar como uma família de comercial de margarina.

Há o medo de perder e nunca mais recuperar.
Há o medo de perder irreparavelmente.
De viver ao lado da tristeza pra sempre.
De ter a culpa como compania constante.

Há o medo de ter feito tudo errado.
Há o medo de ser um fracasso.
De não se fazer entender.
De não conseguir conquistar.
De chegar ao final da linha sem ter conseguido voar.

***

Olha, hoje é melhor nem olhar pra mim, não procurar assunto, não exigir minha atenção, sair da minha frente, mudar de calçada e esquecer que eu existo.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Por vezes, preferimos sofrer do que dar o braço a torcer. Orgulho é uma bosta e não serve pra nada. Só pra ferrar com tudo, mesmo.
Estou cansada. E amputada.
E sabendo como um step se sente.

***

Veronica: Look, Dad. Do what you gotta do, OK? I've seen too much working here to ever be surprised again.

Keith: I know you Veronica, you're not that jaded.

Veronica: I didn't used to be. I had this one shining example, that gave me some faith.

("Of vice and men". Um dos melhores episódios de Verônica Mars até hoje. )

terça-feira, novembro 21, 2006

Ela me passou a bola, e eu adoro essas coisas. Vamos lá, meus 6 segredos publicáveis:

- Eu lia quadrinhos eróticos escondida no banheiro do colégio na 5ª série. Eu e duas amigas corríamos pro banheiro pra ler os quadrinhos em paz. E como ficávamos "trocando informações" durante a leitura, criou-se o boato de que éramos lésbicas. Pena que eu saí do colégio naquele mesmo ano.

- Eu sempre choro com o programa Extreme Make Over Reconstrução Total. (vê se esse não é um segredo bombástico? Admitir isso não é pra qualquer um não! hahaha) Esse programa é um horror. Eu não choro, simplesmente. Eu me acabo de chorar. De ficar com olho inchado e tal. Sensibilidade à flor da pele. Mas adoro, adoro. É um programa do bem, mesmo.

- Eu sorrio pros animais na rua. Não, não é um sorriso pela fofura deles, ou algo assim. Eu sorrio pra eles, meio que cumprimentando, mesmo. Já pros donos, eu nem olho.

- Eu não falo palavrão. Não é que eu não queira falar, é que eu não consigo, é meio que um bloqueio.

- Eu já invadi webmail alheio. De descobrir senha e fuxicar, mesmo. Acompanhar emails por semanas, meses, e descobrir muitas coisas. Não me orgulho nem um pouco disso, hoje não faço mais.

- Eu já matei um cachorro. De susto. Literalmente. Eu tinha 3 anos, era noite e eu "vesti" um lençol e fui pro quintal da minha vó. Não sei se foi coincidência ou se aquele era um cachorro sensível que tinha medo de fantasmas. O fato é que o pobre teve um treco ali mesmo. Na hora. Tipo infarto fulminante.

quinta-feira, novembro 16, 2006

"Return to the earth now, if your mind is troubled and your heart is uncertain. Returning to the beginning we can clearly see the path."

terça-feira, novembro 14, 2006

Eu amo esse texto. AMO. Desde que li, ele não sai mais da minha cabeça. Vira e mexe, eu lembro dele. Acho fantástico, charmoso, criativo, tudo. E resolvi postar aqui pra eu não perder. Porque depois dele, eu nunca mais encarei um espelho da mesma maneira. O autor é esse cara super duper aqui.

a alma dos espelhos

“Não, esse não. Tapa demais o teu colo. Que tal o azul?”
–– Credo, como eu fico gorda nesse vestido. Saco.

Ela tira o vestido e joga sobre a cama, onde já repousam meia dúzia de peças de roupa testadas e reprovadas. Vai em direção ao armário e começa tudo de novo.

“O azul. O azul!”

Puxa um vermelho, de alças largas. Coloca-o na frente do corpo e solta um muxoxo de reprovação.

“Não inventa! Pega logo o vestido azul, vai...”

Agarra o vestido azul, tira do cabide, deixa que ele deslize pelo corpo. Observa-se no espelho.

“Isso... nossa, esse vestido fica perfeito em ti. Olha como ele delineia bem os teus seios... E essa fenda, hein? Uau! É esse. Vai por mim!”

–– É, acho que esse aqui tá bom...

Alguns de nós não acreditam que as almas existam. Esses céticos pensam que somos regidos unicamente por nossos cérebros, e que, quando morremos, nada sobra além do corpo que repousa em algum cemitério ou foi cremado. Ledo engano. As almas existem, sim, e isso não se discute. Resolvida (de maneira prática) essa questão, a próxima é: e para onde vão as almas quando perecemos? Não faltam crenças e teorias religiosas: católicos, espíritas, hindus... E quem mais se aproxima da verdade é a reencarnação dos budistas. Só que, diferente do que eles julgam – voltamos em humanos ou animais –, nossas almas ficam em objetos muito mais prosaicos e corriqueiros. Como, por exemplo, os espelhos.

–– Cabelo preso ou solto? Ai, tá tão cheio de pontas duplas...
“Bobagem, bobagem! Deixa solto!”
–– É. Solto não vai dar. Vai ter que ser preso, mesmo. Saco...

Bem, nem todas as almas ficam em espelhos. Dentro dele, descobri dia desses, ficam os espíritos dos homens que foram muito mulherengos em vida. Galinhas, infiéis, casanovas e conquistadores incorrigíveis encontram seu pós-vida aprisionados num local de onde podem observar intimamente belas mulheres – mas, oh supremo castigo, não podem tocá-las.

“Faz aquele rabo de cavalo, então... Mostrando teu pescoço...”
–– Mas prender como? Um coque?
“Não! Coque não!”
Os espelhos com mais experiência conseguem interferir na vida das mulheres. Eles emitem mensagens telepáticas que funcionam como um sugestionamento subliminar. Não, você não fica gorda naquele vestido: seu espelho é que não gosta da cor.
“Viu? Viu que feia que tu ficou de coque? Faz um rabinho, pô!”
Ela vira de lado, de perfil para o espelho, para enxergar melhor o cabelo. Irritada, solta-o e começa a escová-lo, já sem muita paciência.
–– Esse cabelo tá um nojo, não sei mais o que fazer! Falei pro Jessé que não era pra ele repicar! Ficou uma bosta! Vou perguntar pra Glorinha onde ela anda cortando os cabelos...
Larga a escova na cama e puxa os cabelos para trás da cabeça, simulando o rabo de cavalo.

“Tô dizendo que fica bonito...”
–– Droga. Vou prender num rabo, mesmo...

Assim como os homens, o mesmo acontece com as mulheres. Tudo depende do nível de galinhagem e infidelidade em vida. Ninfomaníacas têm como destino espelhos de corpo inteiro de homens como o Zulu, o Gianecchini, o Mel Gibson e outros bonitões. Já os mulherengos têm a chance única de ver Cameron Diaz, Luana Piovani e até a Sandy peladinhas, peladinhas. Mas é só o que eles podem fazer. Olhar.

“Agora sim... cê fica muito charmosa assim... delícia... se eu pudesse sair daqui, eu juro que...”
–– Perfume, perfume... deixavê... esse aqui.
A campainha toca. Ela pega a bolsa de cima da cama bagunçada e joga o batom que acabou de usar dentro dela. Sai do quarto, gloriando.

“Não, não vai! Volta aqui, pô! Deixa eu te olhar mais um pouquinho... Ei, a tua sombra tá borrada! Vem cá! Ah, que inferno...”

Você pode estar se perguntando para onde vão as almas dos outros - homens e mulheres que jogaram limpo e se mantiveram na linha durante a vida. Eu não sei, mas tenho um palpite: pra roupa íntima das pessoas mais sensuais do mundo. Deve haver algum tipo de equilíbrio, certo? E até dá pra imaginar as brigas que o espelho tem com a gaveta de calcinhas...
“Não! Não bota essa preta! A preta não!”
“Cala a boca, ô recalcado! Fica frio aí, manézão! Isso, meu bem, hoje é a preta...”
“Droga! Droga! Não bota essa aí! Sai sem calcinha hoje! Já pensou, hein? Que delícia?”
“Rárárá, otário! Oooh... gatinha, você se depilou! Hmmm....”
“Cala a boca! Eu te odeio! Me tira daqui! Aaah!”

Bad day...